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Gênero: Um conceito itinerante 

(Resumo de dissertação de tese apresentada à UNICAMP)

Daniel Simião

É cada vez mais freqüente no universo das organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras a presença do termo “gênero” na definição de suas políticas de atuação. Compreender as conseqüências da adoção, por parte das ONGs, de um conceito que tem por trás de si um grande itinerário de discussões acadêmicas bastante nuançadas é a motivação inicial dessa pesquisa. Utilizando-se do conceito de campo, tomado de Bourdieu e Becker, a dissertação resgata parte significativa do debate teórico acerca das teorias de gênero e as questões que trazem para um campo de ação política. Com esse arsenal teórico o autor delineia um campo político buscando compreender como seus atores constróem ou se apropriam de modelos explicativos para as categorias de gênero, cidadania e desenvolvimento, dentro de um determinado campo de poder e em função de sua experiência social concreta. Esta pergunta envolve a compreensão de processos de ressemantização do conceito de gênero dentro de um campo que não o acadêmico, mas em profundo contato com ele, e que exige atenção especial para a construção e o uso político dos diferentes conceitos de gênero como definidores de identidades e contrastes. A partir da análise de materiais e documentos das ONGs, complementados por entrevistas e depoimentos de diferentes atores do campo, o autor aponta para a importância dos usos de uma “linguagem” baseada em gênero para o investimento que muitas organizações têm feito em novas posições institucionais no campo, bem como para o estabelecimento de novos canais de interlocução entre os seus agentes, concluindo por indicar como as diferentes inserções institucionais de ONGs mistas e feministas se relacionam a distintos usos do gênero no campo.