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Sociedade Civil amplia luta
contra os transgênicos

  • O papel fundamental das mulheres rurais

  • O significado do perigo

  • A importância da luta local para o fortalecimento global

 

Os transgênicos têm tudo
a ver com as trabalhoras rurais

Por iniciativa da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos foi realizado um seminário com cerca de quarenta lideranças das trabalhadoras rurais de todo o país, visando clarificar este importante tema e conscientizar sobre o papel fundamental das mulheres no fortalecimento da difícil resistência contra a liberação dos transgênicos (que são organismos geneticamente modificados - OGMs), para preservar a vida humana, o meio ambiente e a autonomia agrícola. Financiado por Action Aid, Novib e Oxfam e realizado no período de 28 a 30 de maio, no Rio, o seminário Transgênicos - o que tem a ver com as trabalhadoras rurais?, coordenado pelo Esplar, Fase e Sof, propiciou discussões profundas e articulação de ações comuns. Os trabalhos foram subsidiados pelas palestras de Maria José Guazzelli (do Centro Ecológico de Ipê/RS), Sezifredo Paz (do Idec), Maria Emília Pacheco (da Fase), Míriam Nobre (da Sof), Fátima Oliveira (da Univesidade Fe-deral de Minas Gerais) e Magnólia Said (do Esplar). As lideranças rurais aumentaram a consciência da importância estratégica de intensificar a luta no campo, para que prevaleça a resistência do Brasil - único dos quatro maiores produtores de sementes do mundo onde os transgênicos continuam proibidos -, em defesa de um projeto alternativo e sustentável. Leia, abaixo, informações destacadas nas palestras:

  • As mulheres inventaram a agricultura, aprendendo a selecionar as plantas para garantir uma alimentação saudável.

  • O Brasil é um dos quatro maiores produtores de sementes, com presença expressiva de mulheres na agricultura, exercendo, assim, um papel importante contra os transgênicos. Os outros três países, Estados Unidos, Canadá e Argentina, já liberaram a produção de transgênicos. Todos os países que temem os efeitos desastrosos dos transgênicos para a saúde e o meio-ambiente estão colocando muitas esperanças na resistência brasileira.

  • As sementes transgênicas são patenteadas, quer dizer, pertencem a cerca de seis empre-sas multinacionais da área farmacêutica/química, as mesmas que fabricam agrotóxicos (como a Monsanto e a  Novartis). Com isso, quem trabalha na terra vai precisar comprar as sementes dessas empresas e não pode vendê-las, a não ser que pague caro.

  • Há um pacto perverso: que visa atender aos interesses dos poderosos; um pacto de omissão: por parte das autoridades e dos cientistas; e um pacto de mediocridade: entre os órgãos governamentais.

  • As mulheres têm importância fundamental na agricultura e no sistema alimentar. É uma luta que precisa de muita união, para deter o projeto de agricultura dominante, que é regido pela lógica comercial, com predominância da manipulação e do monopólio da vida. Com isso, as mulheres estarão fortalecendo o projeto de agricultura sustentável, que leva em conta a lógica da vida, da biodiversidade e da diversidade social/cultural.

  • As mulheres têm grande destaque nessa luta: na produção e no consumo, duas esferas que devem estar interligadas. São as mulheres  que decidem o que consumir. Se as prateleiras de produtos transgênicos não se esvaziarem, os produtores serão barrados.

 

Entendendo os termos e o
significado do perigo para a vida

O QUE SÃO ALIMENTOS TRANSGÊNICOS?

São criados em laboratórios com a utilização de genes de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios. A nova tecnologia permite, por exemplo, introduzir um gene humano em um porco; ou um gene de rato, de peixe, de bactéria ou de vírus em espécies de arroz, soja, milho ou trigo. O resultado é um produto transgênico.

Só de olhar não dá  para perceber a diferença entre um alimento  natural e um transgênico. A engenharia genética, tecnologia aplicada na criação de produtos transgênicos, pode trazer benefícios para a população, como na produção de medicamentos, por exemplo. Antes de ser aprovado para uso, o produto é submetido a rigorosos testes, para garantir que é seguro. O grave problema é que isso não vem acontecendo com os alimentos. 

Os produtos transgênicos podem fazer mal a nossa saúde e prejudicar o meio-ambiente. Quando se insere um gene de um ser em outro, novos compostos são formados nesse novo organismo, como proteínas e aminoácidos. Se este organismo modificado geneticamente for um alimento, seu consumo pode:

  • Desencadear processos alérgicos em massa;

  • Aumentar a resistência aos antibióticos, quer dizer, pode reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que é uma série ameaça à saúde pública;

  • Aumentar as substâncias tóxicas: existem plantas e micróbios que possuem substâncias tóxicas para se defender de seus inimigos naturais, os insetos, por exemplo. Na maioria das vezes, não fazem mal ao ser humano. No entanto, se o gene de uma dessas plantas ou de um desses micróbios for utilizado em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas escape do controle e cause mal a pessoas, a insetos benéficos e a outros animais. Isso já foi constatado com o milho transgênico Bt, que pode matar lagartas de uma espécie de borboleta, a borboleta monarca, que é o agente polinizador (que tem a importante função de fecundar os óvulos);

  • Provocar o desequilíbrio do meio-ambiente: ao colocar genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas poderão desenvolver a mesma resistência, tornando-se superpragas. Isto vai exigir a aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, resultando no aumento de resíduos nos alimentos que comemos, poluindo rios e solos, e prejudicando ainda mais o equilíbrio do meio-ambiente.

É mentira que as sementes transgênicas vão aumentar a produção de alimentos e ‘matar a fome no mundo’, pois um pequeno e poderoso grupo vai ser dono das sementes, aumentando a dependência dos pobres e acabando com a diversidade das sementes. A semente transgênica possui o terminator, o que significa que ela é plantada uma só vez e depois morre. Além disso, fica proibida a venda das sementes adquiridas, a não ser que se pague para os ‘donos poderosos’. Esse é um modelo cruel e perverso de agricultura. Este argumento é mais do que suficiente para que lutemos contra os transgênicos. Está mais do que claro que a eliminação das fronteiras entre as espécies vai provocar profundas conseqüências biológicas, sociais, políticas e econômicas.

A revista New Scientist, de 26/05/01, alerta: “as reais engrenagens dessa revolução são as companhias. E o seu interesse será criar porcos de crescimento rápido para grandes fazendeiros, não animais que resistam a parasitas no mundo em desenvolvimento. Antes de decidir se superporcos ou galinhas mutantes são bons ou não, convém perguntar quem vai tomar conta da granja.” E no caso das sementes transgênicas, a pergunta é a mesma: quem vai tomar conta da plantação?

Você tem o poder de fortalecer a Campanha Nacional por um Brasil Livre de Transgênicos

    A Campanha, que começou em 1999, é composta por um número cada vez maior de pessoas e instituições da sociedade civil, com dois grandes objetivos: 1) proibir o cultivo, a comercialização e o consumo de sementes transgênicas; 2) defender um projeto ecológico. Os eixos estão voltados para a dinamização e mobilização, ações no campo legislativo e judiciário, e esclarecimento à população.

  • Você pode fortalecer esta Campanha, através de pequenas ações locais que vão se juntar à grandiosidade coletiva desta luta. Aqui vão algumas sugestões:

  • Levar o tema para as pautas dos diferentes movimentos, grupos, associações, igrejas e partidos políticos (lembre-se que em 2002 haverá eleições).

  • Juntar entidades do mesmo Estado que já estejam trabalhando o tema.

  • Fiscalizar a merenda das creches/escolas e a dieta dos hospitais, denunciando os casos em que se utilize produtos transgênicos. Denunciar, também, os comerciantes que estejam vendendo produtos transgênicos. Procure a mídia local ou os políticos de confiança.

  • Escrever artigos para os jornais locais, participar de programas de rádio e TV.

  • Realizar atos em datas importantes do calendário nacional (como 1o.de maio ou 7 de setembro), com faixas, camisetas, adesivos etc.
  • Contatar entidades de defesa do consumidor, existentes em quase todos os Estados (informações com o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor - que é presidido pelo Idec -, através do telefone (11)3675-0833 - Carlota Costa).

  • Emplementar a produção diversificada (cultivo de várias plantas).

  • Estimular a criação de casas de sementes.

  • Exigir condições concretas de crédito para as mulheres.

  • Desencadear ações de resistência res-gatando o saber da mulher na agricultura.

  • Lutar pela inclusão das mulheres nos processos de decisão.
  • Voltar as ações locais para um trabalho em rede, visando contemplar todas as etapas do processo de produção/comer-cialização/consumo (rede de socioeco-nomia solidária), com interação campo e cidade, de região para região.

  • Multiplicar o material da Campanha, que pode ser obtido através do telefone (21) 253-8317 ou do correio eletrônico campanhatransg@uol.com.br

  • Comunicar todas as ações para a coordenação da Campanha, para que sejam divulgadas conjuntamente.
  • A Campanha é apoiada por Action Aid, Novib, Oxfam-Brasil e Cese.

    C U I D A D O !  

    Estes produtos contêm transgênicos

  • Nestogeno com soja (Nestlé/Brasil)

  • Ovomaltine cereais e fibras (Novartis)

  • Mistura para bolo de chocolate (Sadia)

  • Sopão de Galinha (Knorr)

  • Creme de Milho Verde Knorr (Ref.Milho Brasil)

  • Sopão de Galinha Pokemón (Arisko)

  • Pringles - batata frita (Procter and Gamble)

  • Broinha de Milho Yoki (Yoki/Brasil)

  • Cup Noodles (Nissin-Ajinomoto/EUA)

  • ProSobee Preparo Instantâneo(Bristol Myers Squibb/EUA)

  • In Natura - Mistura de Cereais (AUF Natur/Brasil)

  • Aptamil (Support Produtos Nutricionais/Argentina)

  • Supra Soy Integral (Joaquim Oliveira/Bélgica)

  • BaCOs - cobertura para saladas (Gourmant Alimentos)
  •  

* Transgênicos são organismos geneticamente modificados (OGMs), que podem causar sérios males à saúde e ao meio-ambiente.

Fontes: Este encarte foi elaborado por Vera Vieira, a partir de informações dos materiais duvulgados pela Campanha Nacional Por um Brasil Livre de Transgênicos, do Seminário Transgênicos - o que tem a ver com as trabalhadoras rurais? e do site www.idec.org.br